
Primeira vez, escrevendo aqui. Não sei ainda se os posts serão mais voltados para uma análise sem spoiler ou algo que seja tendencioso para aqueles que já o assistiram. De qualquer forma, tentarei descrever os filmes para ambos os públicos em posts diferentes e já digo antecipadamente que não sou dono da verdade. Muito pelo contrario, errarei muito e com certeza o Joca falaria em um minuto uma análise muito mais interessante que a minha, mas espero que seja um espaço aberto para nós, alunos, discutirmos e expormos as nossas idéias.
Para iniciar, vou tentar falar um pouco do filme “O Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças”. Vou confessar que a primeira vez que assisti achei muito chato, entediante e até mesmo, desconfortante ao ver Jim Carrey num papel um tanto dramático. No entanto, nesse fim de semana, pude assisti-lo novamente e entendê-lo melhor graças as aulas de Psicologia.
O filme reflete muito as características dos clipes de seu diretor, Michel Gondry: o longa se inicia já cheio de cortes secos, uma direção de fotografia nem um pouco tradicional, as cores voltadas para um filtro quente ou frio, muitas vezes alterando as cores naturais captadas pela câmera. A edição é impressionante, a mudança de planos e cenários nos chama muito a atenção, chegando a parecer simples essas transformações.
Lembrando que, no cinema, quase tudo tem seu porquê, podemos perceber que as cores de cabelo de Clementine Kruczynski (Kate Winslet) são alterados de acordo com o progresso do relacionamento entre ela e Joel Barish (Jim Carrey). No início, Clementine está de cabelo azul e ainda está conhecendo Joel, sem enxergar seus problemas. Nesse período, os dois se apaixonam, mas de forma que se sentem atraídos apenas por causa de seus próprios desejos, sem se preocupar em saber quem o outro realmente é. Acredito que a cor azul reflete o clima frio (não das cenas que nos é visível, mas do interior, do psicológico, dos personagens), o momento que ainda não sabem a respeito dos problemas de cada um, a PAIXÃO.
Num segundo momento, Clementine aparece com um cabelo laranja meio avermelhado, refletindo já um clima mais “pegajoso”. Não digo apenas no sentido que se refere ao amor fervoroso, mas também às brigas, conflitos, no conhecer um do outro, PI seja, no AMOR. Nesse momento, o desejo de Joel é esquecê-la assim como ela o esqueceu apos conhecê-lo de verdade e perceber que seus problemas iam alem do que ela poderia suportar.
Durante a Paixão, pouco importava conhecer o outro; no entanto, no Amor, o casal se conhece e eis que surge os conflitos, o desentendimento entre eles. Nesse período em que percebem um no outro suas diferenças, o relacionamento pode seguir dois caminhos: o casal se separa, como o que acontece no início do filme, quando Clementine resolve apagar suas memórias na clinica Lacuna; ou os dois entendem os erros um do outro e buscam uma relação que vá alem dos problemas e seja satisfatório para os dois, como o que acontece apos os dois ouvirem a fita cassete em que eles mesmos se xingam.
Assim, aprofundando-nos mais na estética e em seu significado, podemos perceber também a relação do laranja e do azul, cores complementares. Os momentos em que Clementine está de cabelo azul, o mundo parece girar em volta de seu relacionamento com Joel, tudo cooperando para o bem dos dois. Já quando Clementine está com seu cabelo tingido de laranja, o filme revela o surgimento de problemas entre os dois, revelando a inconstância de um relacionamento amoroso. Dessa forma, ao utilizar essas cores, o diretor pode vir a nos mostrar o significado da intimidade, os dois lados de uma relação: a parte ruim e a parte boa, a tristeza e a alegria, as brigas e os afagos, os agentes contrários e complementares que são necessários para, enfim, formar um casal.
André Hiroshi Katayma
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Gosto particularmente deste filme. Compartilho aqui a minha visão "psicológica" da trama. Mais do que cores, fotografia e imagens, o filme é nada menos que o retrato de TODAS as pessoas que procuram no esquecimento a fuga para os seus problemas e conflitos.
ResponderExcluirGrande abraço!
Daniela Ono (@daniono)